Uso de vapes está ligado ao câncer de pulmão em ratos

As discussões envolvendo os riscos dos cigarros eletrônicos como uma alternativa mais segura ao fumo estão definitivamente longe do fim. Se as últimas pesquisas apontavam para o aumento do risco de saúde relacionado aos cartuchos de e-cigs ilícitos, um novo estudo da Universidade de Nova York aponta que os vapes, mesmo com nicotina, estão ligados ao risco de câncer de pulmão, a princípio em ratos e, provavelmente, em humanos.

A equipe da área médica da Universidade de Nova York encontrou indícios de que o vapor do cigarro eletrônico, assim como a fumaça do tabaco, possa ser cancerígeno. Em um estudo anterior feito pela mesma instituição, por 12 semanas, foi descoberto que o uso dos vapes pode danificar o DNA da bexiga e das células pulmonares de ratos, em níveis suficientes para aumentar o risco de cânceres.

Publicado na revista PNAS, o novo estudo, feito durante um período de 54 semanas, expôs grupos de ratos a três condições diferentes, cada uma com duração de quatro horas por dia, cinco dias por semana. O primeiro grupo foi colocado, durante todo o período de teste, em uma câmara com vapor do cigarro eletrônico, criado por máquina que simulava a atividade de um e-cig. Outro grupo foi exposto ao ar vaporizado contendo apenas os solventes, e um terceiro passou o tempo respirando ar filtrado.

No fim do experimento, nove dos 40 camundongos expostos ao vapor direto do cigarro eletrônico desenvolveram câncer de pulmão, o que equivale a 22,5%. Enquanto isso, apenas um dos camundongos num dos dois outros grupos desenvolveu a mesma doença. Mais da metade do grupo exposto aos vapes teve aumento no tamanho da bexiga, considerado fator de risco para câncer neste orgão. Nos outros dois grupos, um único rato apresentou alteração de bexiga.

De acordo com o pesquisar Moon-Shong Tang, biólogo molecular da Universidade de Nova York, a equipe também descobriu que certos compostos causadores de câncer, chamados nitrosaminas, são formados no corpo de ratos quando expostos a vapor cheio de nicotina. Essas nitrosaminas são cancerígenas tanto em camundongos quanto em seres humanos. “Portanto, a probabilidade é muito alta para que o vapor do cigarro eletrônico seja um agente cancerígeno humano”, afirma Tang, um dos autores do estudo. As descobertas da equipe, por mais assustadoras que sejam, apresentam limitações. Primeiro, porque organismo de um rato é diferente do organismo humano, além disso, a espécie de ratos usada por Tang é mais suscetível a substâncias químicas causadoras de câncer do que outras espécies, o que facilita o aparecimento dos sintomas, mas dificulta a aplicação dos resultados. Isso significa que mesmo o estudo demonstrando que o vapor do cigarro eletrônico pode ser cancerígeno, ele não pode prever o quão cancerígeno poderia ser em ratos não modificados ou em seres humanos. A pesquisa também não compara o risco de câncer causado pelo uso cigarros eletrônicos em relação ao mesmo risco ocasionado pelo tabagismo tradicional, o que não significa que ambos sejam igualmente cancerígenos. Tang argumenta que a média de tempo necessária para um fumante vitalício desenvolver um possível câncer de pulmão é de duas décadas ou mais, ou seja, levará pelo menos mais uma década para descobrir os tipos de cânceres relacionados aos e-cigs. Enquanto isso, especialistas e organizações de saúde pública têm manifestado opinião favorável ao declararem que os cigarros eletrônicos são cerca de 95% menos prejudiciais que os cigarros de tabaco. Grande parte desse cálculo parte das evidências de que a própria nicotina não é cancerígena ou que o vape expõe pouco os usuários aos seus subprodutos causadores de câncer, com as nitrosaminas. Fonte: https://gizmodo.com/e-cigarette-vapor-linked-to-lung-cancer-in-mice-1838856517